23/07/2008 22:43
Gregory X David - featuring John

Eu sempre me achei parecido com o David Addison, personagem do Bruce Willis no seriado A Gata e o Rato, nos idos da década perdida. O jeito debochado, quase sacana, de fazer piada de tudo e de todos, e quando provocado, explosivo, sempre foi de forte identificação comigo. Durante anos, mesmo com o advento do outro personagem do Bruce que tem tudo a ver comigo, que é o John McLane (outro gozador de carteirinha, que mesmo quando está fud***, está tirando sarro de todos), a minha identificação maior sempre foi com o David Addison.
Por exemplo, a explicação clássica dele de porque não devemos desistir facilmente de algo:
_Você acha que Alexander Grahan Bell sentou-se no seu escritório e pensou pq eu vou inventar o telefone? ninguem tem telefone pra atender! Não! Ele foi lá, deu duro, inventou o telefone e começou a discar para todo mundo, até que as pessoas se encheram e compraram telefones para poder atenderem a ele..
Fabuloso, não? Decididamente, é a minha cara. E uso isso até hoje.

Já John McLane entre milhares de pérolas dos seus 4 Die Hard´s, tem uma das minhas prediletas quando está apanhando com gosto de um dos bandidos, que vira para ele, que está todo ensanguentado, caído no chão, e diz: Por que eu estou sempre tentando matar você e você aparece novamente? e ele, cuspindo sangue, responde: Porque eu sou o coelhinho da Energizer!.
Muitas e muitas vezes eu me senti o coelhinho da Energizer.

Mas hoje em dia, com a experiência de alguns anos de David e John, apareceu coincidentemente uma nova figura, que é um upgrade desses dois personagens. E claro, graças a Deus, a gente evolui. E com isso, hoje em dia mais do que Rato o que Duro de Matar, eu me identifico demais com o Dr. House.

Acho que a grande mudança nos 2 personagens para o House, e deste tolo de 10 anos atrás para hoje, é o mau-humor peculiar. Mau-humor que serve de combustível para as mesmas frases e ações que os outros 2 tinham também. Ou seja, o efeito é quase o mesmo, mas a causa é totalmente diferente. A acidez é muito maior também, e o mau-humor não é para fazer gênero; simplesmente a gente não acha mais que tem que esconde-lo ou disfarça-lo.
E de todos os 3 personagens, é o House que tem outra caracteristica muito forte em mim de longa data: curiosidade pela mente-humana, pelo outro, pelo que se passa na sua cabeça, querido leitor. Entender, estudar, testar, saber o máximo possível de todas as pessoas que te cercam. Não por nada, mas é uma curiosidade, ou melhor, uma necessidade de entender. Quase de tentar transformar as pessoas em uma equação.
Quando digo de longa data, assim o é: Eu faço isso desde a época de outro personagem importante, Hercule Poirot. Ele acreditava que, usando sua massa cinzenta, você poderia entender o outro facilmente. E entendendo o outro, solucionava os casos mais insolucionáveis que Ladie Agatha Christie criava.
Por uma grande período da minha vida eu achava que meu destino seria ficar sozinho, sem me casar. Assistindo ao House, eu imagino que muito provavelmente se isso tivesse acontecido, eu viveria como ele. Ou seja, é quase uma demonstração de como eu seria se não estivesse com a Renata.
Claro que não tenho a estupidez peculiar dele, nem sou viciado em Vicodin. Sou uma versão bem mais light, eu diria, mas ainda assim, com boas semelhanças.
E esse lado Gregory acaba aflorando tanto no trabalho quanto no pessoal. E, assim como no seriado, mesmo as vezes nao sendo a pessoa mais simpática do mundo (ser sincero às vezes pode ser muito desagradável), no geral ele (e eu) acabam tendo a simpatia da maioria das pessoas.
E com mais 10 anos, me tornarei quem?
enviada por RZibis
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